Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva disputam a sucessão presidencial no ano da Lava Jato, da Copa do Mundo e da economia em desaceleração. Esta página reúne o resultado oficial, o desempenho por estado e a narrativa do que aconteceu — o registro histórico, ao lado do qual a simulação jogável é apenas um exercício de ficção.
Para entender a eleição de 2014, é preciso voltar a junho de 2013, quando uma onda de protestos levou milhões de pessoas às ruas de todo o país. O estopim foi o aumento de vinte centavos na tarifa de ônibus em São Paulo, mas em poucos dias o movimento cresceu e mudou de foco.
Puxada sobretudo pela juventude das grandes cidades, a insatisfação passou a mirar a qualidade dos serviços públicos, os gastos com a Copa do Mundo de 2014 e a própria classe política. Foi a primeira grande mobilização da era das redes sociais no Brasil, com convocação e repercussão massivas no Facebook e no Twitter. A popularidade de Dilma Rousseff, até então elevada, sofreu ali o primeiro grande abalo e não voltaria ao mesmo patamar.
A campanha começou com Dilma na frente. Depois de doze anos de governos do PT e de programas sociais consolidados, a presidente liderava com folga no Nordeste e mantinha vantagem nacional. A poucos meses do pleito, a esquerda ainda convivia com especulações recorrentes sobre uma eventual candidatura de Lula, mas o ex-presidente sustentou a sucessora, e Dilma foi confirmada em convenção como candidata à reeleição.
No PSDB, a indicação foi disputada entre Aécio Neves e José Serra, derrotado por Dilma em 2010. Aécio levou a melhor e assumiu como principal nome da oposição, com a bandeira da alternância e da responsabilidade fiscal. A terceira via ficou a cargo de Eduardo Campos, do PSB, que se aliou a Marina Silva. (Vinda do PV, Marina havia surpreendido em 2010, quando terminou em terceiro com quase vinte por cento dos votos.) Como não conseguiu registrar a tempo o seu partido, a Rede Sustentabilidade, ela entrou na chapa como vice de Campos.
Ao pano de fundo econômico, com o crescimento em queda e a inflação em alta, somou-se um novo elemento explosivo. Em março de 2014, a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava Jato, que começou como uma investigação de lavagem de dinheiro e logo alcançou contratos da Petrobras, jogando a corrupção para o centro do debate eleitoral.
Em 13 de agosto, a menos de dois meses do primeiro turno, Eduardo Campos morreu num acidente aéreo em Santos. O PSB escolheu Marina Silva para encabeçar a chapa e, para acomodar as preocupações de parte da coligação, indicou Beto Albuquerque, então presidente do partido, como vice.
A comoção provocada pela tragédia impulsionou Marina de imediato. Em duas semanas, ela passou de trinta por cento nas pesquisas e empatou tecnicamente com Dilma, com simulações de segundo turno que chegavam a colocá-la à frente da presidente. Por um breve período, a eleição pareceu caminhar para uma virada histórica. O arranque, porém, veio acompanhado de turbulência: o lançamento do programa de governo expôs contradições, sobretudo em temas econômicos e de direitos, e os recuos que se seguiram deram munição tanto ao governo quanto à oposição.
O auge de Marina não se sustentou. Sob fogo cruzado das campanhas de Dilma e de Aécio, alvo de ataques diretos no horário eleitoral do PT e nos debates, a candidata do PSB recuou ao longo de setembro.
Na reta final, o voto útil da oposição migrou em massa para Aécio Neves, que cresceu de forma acelerada nos últimos dias e ultrapassou Marina, garantindo a segunda vaga. A terceira via ficou outra vez de fora do segundo turno.
O segundo turno colocou frente a frente a situação e a oposição, na disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização. Com os demais candidatos fora, começou a corrida pelos apoios.
Marina Silva declarou voto em Aécio Neves. Ao anunciar o apoio, justificou a escolha em nome da mudança que dizia defender e da recusa à continuidade do projeto do PT, e apresentou um conjunto de compromissos que gostaria de ver assumidos pelo tucano. A maior parte dos candidatos derrotados também se aproximou de Aécio, enquanto Dilma se apoiou na sua base e no temor de que uma vitória da oposição ameaçasse as conquistas sociais do período.
As pesquisas oscilaram dentro da margem, e Aécio chegou a liderar em alguns levantamentos de meados de outubro. No dia 26 de outubro, Dilma foi reeleita com 51,64% dos votos válidos contra 48,36% de Aécio, uma diferença de pouco mais de três pontos.
| Candidato | Partido | % válidos | Votos |
|---|---|---|---|
| Dilma Rousseff | PT | 41,59% | 43.267.668 |
| Aécio Neves | PSDB | 33,55% | 34.897.211 |
| Marina Silva | PSB | 21,32% | 22.176.619 |
| Demais candidatos | — | 3,54% | 3.682.304 |
| Candidato | Partido | % válidos | Votos |
|---|---|---|---|
| Dilma Rousseff | PT | 51,64% | 54.501.118 |
| Aécio Neves | PSDB | 48,36% | 51.041.155 |
| Unidade da federação | Rousseff | Neves | Silva |
|---|---|---|---|
| Acre | 27,98% | 29,08% | 41,99% |
| Alagoas | 49,94% | 22,11% | 25,31% |
| Amapá | 51,10% | 25,44% | 19,96% |
| Amazonas | 54,54% | 19,41% | 21,53% |
| Bahia | 61,44% | 18,27% | 18,38% |
| Ceará | 68,30% | 14,97% | 14,12% |
| Distrito Federal | 23,02% | 36,10% | 35,81% |
| Espírito Santo | 33,12% | 35,12% | 28,76% |
| Goiás | 32,10% | 41,54% | 23,90% |
| Maranhão | 69,56% | 11,62% | 17,01% |
| Mato Grosso | 39,53% | 44,47% | 14,11% |
| Mato Grosso do Sul | 37,51% | 41,31% | 19,08% |
| Minas Gerais | 43,48% | 39,75% | 14,00% |
| Pará | 53,18% | 27,57% | 16,34% |
| Paraíba | 55,61% | 23,38% | 18,75% |
| Pernambuco | 44,22% | 5,92% | 48,05% |
| Paraná | 32,54% | 49,79% | 14,20% |
| Piauí | 70,61% | 13,84% | 14,07% |
| Rio de Janeiro | 35,62% | 26,93% | 31,07% |
| Rio Grande do Norte | 60,06% | 19,82% | 17,19% |
| Rio Grande do Sul | 43,21% | 41,42% | 11,50% |
| Rondônia | 41,70% | 44,91% | 10,41% |
| Roraima | 33,20% | 43,63% | 18,81% |
| Santa Catarina | 30,76% | 52,89% | 12,83% |
| São Paulo | 25,82% | 44,22% | 25,09% |
| Sergipe | 54,93% | 22,68% | 18,55% |
| Tocantins | 50,23% | 27,67% | 20,53% |
| Unidade da federação | Rousseff | Neves |
|---|---|---|
| Acre | 36,32% | 63,68% |
| Alagoas | 62,12% | 37,88% |
| Amapá | 61,45% | 38,55% |
| Amazonas | 65,02% | 34,98% |
| Bahia | 70,16% | 29,84% |
| Ceará | 76,75% | 23,25% |
| Distrito Federal | 38,10% | 61,90% |
| Espírito Santo | 46,15% | 53,85% |
| Goiás | 42,89% | 57,11% |
| Maranhão | 78,76% | 21,24% |
| Mato Grosso | 45,33% | 54,67% |
| Mato Grosso do Sul | 43,67% | 56,33% |
| Minas Gerais | 52,41% | 47,59% |
| Pará | 57,41% | 42,59% |
| Paraíba | 64,26% | 35,74% |
| Pernambuco | 70,20% | 29,80% |
| Paraná | 39,02% | 60,98% |
| Piauí | 78,30% | 21,70% |
| Rio de Janeiro | 54,94% | 45,06% |
| Rio Grande do Norte | 69,96% | 30,04% |
| Rio Grande do Sul | 46,47% | 53,53% |
| Rondônia | 45,15% | 54,85% |
| Roraima | 41,10% | 58,90% |
| Santa Catarina | 35,41% | 64,59% |
| São Paulo | 35,69% | 64,31% |
| Sergipe | 67,01% | 32,99% |
| Tocantins | 59,49% | 40,51% |
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